Domingo, 14 de maio de 2017 às 17:06 em Tecnologia
Carta não é de Camilo Cola", diz empresário

A disputa pelo grupo Itapemirim ganhou mais um capítulo neste sábado (13). Agora foi a vez de um dos três novos donos da empresa, Sidnei Piva, acusar alguns herdeiros de Camilo Cola de estarem por trás da carta divulgada em nome do patriarca da família, onde ele afirma que os atuais gestores teriam desviado R$ 8,1 milhões da companhia.

Piva rebateu a acusação e disse que durante as administrações dos herdeiros, dos anos 90 até o ano passado, cerca de R$ 50 milhões teriam sido desviados para contas de pessoas ligadas à família. O empresário não apresentou documentos à reportagem, mas afirmou que está tudo registrado no processo de recuperação da empresa que corre na Justiça estadual.

“Classifico como desespero deles. Nós da nova administração temos profunda admiração com o fundador que por diversas vezes foi muito agradável. Não acredito que tenha sido ele a fazer essas acusações, não é da índole dele”, disse Piva.

O empresário conta ainda que quando adquiriu a empresa em novembro de 2016, a mesma estava prestes a falir.

“Quando assumi, só a viação Itapemirim (uma das empresas do grupo), estava operando com apenas 72 carros para fazer o Brasil. Não tinha condição de atender 20% do território nacional. Eram 390 ônibus na oficina, sucateados. Hoje estamos com 500 ônibus ativos”, disse.

“Estão querendo reaver a empresa por ego ferido, pois agora está tendo uma gestão profissional. Nunca imaginaram o grande poder do nome Itapemirim”, concluiu.

Outro lado

O advogado de Camilo Cola, Marcelo Miranda, disse que as acusações sobre supostos desvios são mentirosas e afirmou que a carta é mesmo de autoria de Camilo Cola.

Mensagem enviada na última sexta-feira, atribuída ao patriarca, informa que o mesmo irá à Justiça para tentar retomar o controle das empresas que estão atualmente em processo de recuperação judicial.

Segundo o texto, os novos donos serão denunciados ao Ministério Público Estadual (MPES) por terem supostamente desviado R$ 8,1 milhões do caixa da empresa, utilizando a receita da venda de passagens da Viação Itapemirim, braço mais rentável do grupo.

Entenda

Crise

Há anos a Itapemirim estaria passando por séria crise financeira, que teve início após investidas malsucedidas em aviação. A fusão com a cachoeirense Kaissara seria uma tentativa de salvar a viação.

Venda

Em junho de 2015, a Kaissara havia passado a operar cerca de 40% da frota e mais da metade das linhas da Itapemirim. No total, foram repassadas à Kaissara 68 das 118 linhas que eram operadas.

Recuperação judicial

Em março de 2016, a Itapemirim protocolou pedido de recuperação judicial na 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória. O processo envolve seis empresas.

Decisão e compra

Em dezembro, a Justiça estadual determinou a exclusão dos sócios da Kaissara e a transferência do controle aos novos acionistas da Itapemirim: Sidnei Piva, Milton Rodrigues e Camila de Souza. Até o ajuizamento do pedido, o grupo era gerido por Camilo Cola Filho.

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